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mento, em presença da considerável força armada, que a cada instante ia avultando em torno dele, foi indispensável no Governo Português de Macau tomar as medidas de precaução, que a necessidade e a prudência indicavam como as mais urgentemente reclamadas pela segurança e defesa própria, que de sobejo as justificavam. Destas medidas foi talvez a mais providente de todas, a ocupação temporária da Barreira por uma força portuguesa, que ali mandou postar o Governo na manhã do dia 25, a fim de não deixar aquele passo franco à invasão, que ameaçava o Estabelecimento; e os esforços, que desde logo fizeram os Chinas para nos desalojar daquele ponto, assaz demonstram o valor que lhe davam, e o quanto empenhados estavam, em que por ali lhe não fosse cortada a passagem. O conflito que nesse dia teve lugar, e que terminou com fortuna nossa, foi provocado pela agressão provinda da parte dos Chinas, que rompendo primeiro o fogo sobre a gente portuguesa, assim da Fortaleza de Passaleão, como de vários pontos, que então pareceram fortificados nas eminências vizinhas, o sustentaram com todo o calor desde as 10 horas da manhã até às 4 da tarde, quando foi preciso à força portuguesa, fazê-lo calar, e, para poder conservar a sua posição, como altamente o reclamavam a segurança e defesa do Estabelecimento, ir desalojá-los de todas as suas posições voltando logo depois ao seu posto na Barreira, que continuou a ocupar enquanto foi necessário; sendo durante este conflito, que mais claramente se manifestaram os intentos traiçoeiros dos Chinas, à medida que na marcha da nossa pequena força se iam descobrindo os meios de agressão, com que eles tão antecipadamente se haviam prevenido.

Até aqui se tem visto com toda a clareza que o assassinato do Governador Amaral não foi senão o resultado de um plano previamente traçado, e de mui vasto alcance, para cujo desenvolvimento aquele atentado fora apenas o primeiro passo dado; sendo também evidente, à vista dos factos estabelecidos, que era bem fundada

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a presunção de que as Autoridades Chinesas, cientes dele, prestaram o auxílio necessário para a sua completa execução. Resta agora ver até que ponto a conduta posterior das mesmas autoridades veio justificar aquela presunção, e estabelecer a final a sua imediata e direta responsabilidade pelo crime depois dele consumado.

Se a conduta das Autoridades Chinesas anterior àquele facto evidencia o conhecimento prévio que dele tinham, não é de certo menos evidente a sua participação e concorrência nele à vista da sua conduta posterior. As argucias e contradições, que tão palpáveis são em toda a sua correspondência, a qual se ressente fortemente de um excessivo empenho de desfigurar, e até mesmo negar, factos públicos, e notórios, e empecer quanto era possível o exato conhecimento daqueles que dependiam de averiguações, revelam sobejamente todo o seu despeito em um assunto tão sério, e de tanta gravidade, e o seu imediato interesse em que nunca aparecesse a verdade, sem dúvida porque nisso estava empenhada a consciência de ficar, com ela, manifesta também a sua própria criminalidade.

A simples leitura dos documentos aqui apensos basta para mostrar a pouca lealdade, e boa fé que tem presidido a todos os atos das referidas autoridades neste negócio, mui especialmente desde a prisão do pretendido réu Sen-Chi-Leong, até à recusa da restituição dos membros roubados ao Ilustre Finado; comtudo este Conselho não se dispensará de apontar neste lugar algumas das circunstâncias mais notáveis, para que melhor se veja a justiça, e a verdade das suas asserções.

No dia 12 de setembro, isto é, vinte e um dias depois de perpetrado o crime, é preso um dos réus em Shon-Tac, e descobertas a cabeça e a mão (doc. D) enterradas em Sam-Tim, e passados apenas três dias, é o réu justiçado na manhã do dia 15, sendo remetida a este Conselho uma cópia de sua confissão (doc. E), que sobre ser errónea e falsa, por não combinar com as circunstâncias

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